quinta-feira, 5 de maio de 2011

Prelúdio para uma história de horror

- O mundo costuma ser cruel com os solitários.

- E como você sobreviveu?

- Não sobrevivi.

- O que houve?

- Ninguém agüenta quebrar tantas vezes.

- E como eu faço?

- O quê?

- Pra sobreviver sem uma subvida. Você não é médico? Me clinique. Quero a profilaxia, dotô.

- Ora essa, pois se eu não sobrevivi. Seria péssimo conselheiro.

- Me diga qual foi seu pior erro e farei de tudo pra nunca cometê-lo.

Ele passou de médico a juiz num salto. Ali estava, prestes a condenar qualquer adjetivo, sentimento ou sensação que fosse. E eu imóvel com ares de aluna aplicada.

Foi então que, não sem demora, cuspiu a sentença:

- Acreditei.

- Mas se vo...

- Não me leve a mal, mas toda dádiva está a um passo da maldição.

12 comentários:

Daiane disse...

Muito bom o texto!!!

Só não concordo com a última frase...

Bjs

Gislene Trindade disse...

Obrigada, mas os méritos não são meus.
Pessoas interessantes rendem conversas interessantes com as tais frases de impacto.

Háháhá...

tatiane.trindade disse...

Não existe pessoas solitárias, o que existe são corpos fragmentos distante de suas origens, somos pedaços, gestos e lembranças de quem passou por nós, guardo a forma de sorrir de quem tinha que contê-lo, o livro que mais gosto é um furto do bem gosto alheio, a música que ouço é influência da companhia passada, que torna-se presente a cada solo de guitarra, a roupa que visto foi a lembrança e saudade de alguém..não somos solitários e sobrevivemos porque em cada pensamento nosso guardamos as lembranças e em cada gesto o resquício de quem um dia já foi presente.

Cris disse...

No blog do meu pai (www.landecdefesacivil.blogspot.com), há uma frase filosófica no perfil que nos remete a reflexão sobre a soldião (não adianta que não vou citar aqui, vão ter que visitar para ver...hahahaha!).
Sobre a solidão concluo o seguinte: vivemos 24 horas por dia em prol de nossa própria satisfação pessoal. Nos enfeitamos, comemos, durmimos, amamos, produzimos em função de nós mesmos. Daí é normal o estado de solidão. No entanto, a partir do momento que dividimos nosso universo com outros, que por sua vez também vivem em busca de se autosatisfazerem, criamos um circulo vicioso onde, para não perder o que o outro faz de bom, também dividirão! É assim que se cura a solidão!

TATITA: que meiiiiiigooo...parece que ouço o canto doce da sua voz nestas belas frases. É por isso que você nunca há de ser só, pois até as borboletas te amam...lembra?!

Ah sim, concordo que toda dádiva esta a um passo da maldição, assim como estamos a dois passos do paraíso, como dizia a música. Então, melhor saber onde se pisa...hehehehehe...tah...eu sei...essa foi podre!

Cris disse...

"...filosófica no perfil que nos remete a reflexão sobre a soldião..."

Gente, no meu post acima, onde se lê "soldião", por favor invertam mentalmente e leiam "solidão". É que me faltou grana hoje para um Jonny Walker e acabei caindo de boca no marafo (pinga de exu), dum despacho que estava na encruzilhada aqui perto de casa...foi mal!

Felipe Teles disse...
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Gislene Trindade disse...

Tatiiii, lindíssima!

Até fiquei emocionada, mas quero os livros roubados de volta, mocinha.

tatiane.trindade disse...

Giii o livro faz parte de vc que está comigo! shaushauhsauhs
mas pode deixar que vou devolvê-lo sim..em troca de outro..claro! shaushuahsa

Criiis brigada ^^
Lembro sim! Amo borboletas!
E pode ter certeza que de todos os resquícios que me formam há os que pertençam a vc!

Cris disse...
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Cris disse...

Aaaahhhh...^^...faz assim que eu tô careeeeenteeeeeeee!!!
Espero que os meus resquícios em vc não sejam aqueles que se manifestam na TPM!
Eu tbm tenho os seus e os da Gi em mim. Costumam se manifestar qdo como um chocolate, qdo bebo uma pouco a mais no meu niver...rs...que qdo minha roseira faz jus ao nome e solta alguns botões.

PS.:as fotos "daquele dia" são ultrasecretas táh?! Se divulgá-las eu manifesto os resquícios rebeldes da Gi em mim!

Felipe Teles disse...
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Daniel Franco disse...

Isso foi uma conversa? Ótimo ouvir palavras de outra pessoa.
Uma estória de amor pode-se transformar em uma de horror, mas uma de horror pode-se transformar em uma de amor?
A solidão nos cerca, sempre, as pessoas que passam, as que vem, as que vão, somente aprendemos, mas sempre estamos sozinhos, por isso devemos encontrar a nós mesmos, cada um é seu melhor companheiro, as pessoas só completam aquilo que nos faltam, pois ninguém é completo, ninguém é perfeito.